
- Introdução ao sufismo
- Os princípios do sufismo
- Sufismo e Conhecimento 1. Princípio do Predominante, Centro Informado
2. Princípio do Equilíbrio e Proporção
3. Princípio da Cooperação e Colaboração
4. Princípio da Compreensão e Unidade
5. Princípio da Harmonia
6. Princípio da Orientação
7. Princípio do Amor e Atracção
Sufismo e Conhecimento
"Tu sê Tu"
Profeta Maomé (que a paz esteja com ele)
O sufismo é a escola do conhecimento de nós mesmos. É uma disciplina, um sistema de educação que facilita a jornada do conhecimento de nós mesmos. O sufismo ensina a cada um a ciência da exploração do seu próprio ser e a expandir o conhecimento inerente no seu seio, que é vasto e infinito.
O Profeta Maomé (que a paz esteja com ele) disse: "Tu sê Tu", que significa, conhece-te a ti próprio, a tua realidade é a realidade da existência. Hazrat Amir-al-Mo’menin Ali disse: Não penses que és um microcosmos, existe um mundo maior para descobrires dentro de ti e tu és o livro nítido da Existência.
Hazrat Salaheddin Ali Nader Angha, o actual Mestre da Escola de Sufismo Islâmico M.T.O. Shahmaghsoudi® afirma: A existência é vasta, abrangente e infinita. Por isso, o que quer que exista, manifesta e apresenta esta lei eterna. O ser humano é parte da existência, por isso, é também uma realidade infinita.
Hazrat Shah Maghsoud Sadegh Angha, o grande Sufista da nossa era, dirige-nos para a fonte da sua realidade sem fronteiras no nosso seio. Ele chamou a este ponto luminoso, o "Eu", a Fonte da Vida". [1] O centro do "Eu" reside no coração e é a porta para o reino infinito. O conhecimento do "Eu" é o início da jornada do conhecimento de nós mesmos, uma jornada que começa no centro do "Eu" e que leva ao conhecimento absoluto.
Os Sete Princípios do Conhecimento de Nós Mesmos
Os sete princípios do conhecimento de nós mesmos são universais e infinitos. Eles revelam toda a existência. O ser humano, através do centro do "Eu" no cerne do seu ser, liga-se a estes princípios eternos e reconhece a sua verdadeira identidade.
Hazrat Salaheddin Ali Nader Angha, no livro Teoria "Eu" [2], descreve os princípios fundamentais do conhecimento de nós mesmos do seguinte modo:
1. Princípio do Predominante, Centro Informado
2. Princípio do Equilíbrio e Proporção
3. Princípio da Cooperação e Colaboração
4. Princípio da Compreensão e Unidade
7. Princípio do Amor e Atracção
1. Princípio do Predominante, Centro Informado
O sufismo ensina que toda a existência, dos átomos às galáxias, aos seres humanos, tudo se submete ao seu centro informado e é orientado para o seu conhecimento inato.
O centro do "Eu" é o centro predominante, informado, que é a fonte do nosso conhecimento infinito. O centro do "Eu" é como uma semente de uma árvore. A semente contém todos os potenciais, capacidades e conhecimento para o seu desenvolvimento dentro de ela própria. Mas a semente só cresce num ambiente adequado e se receber os cuidados adequados de um jardineiro sábio. Nestas condições, a semente revela-se e manifesta o conhecimento que tem no seu interior.
2. Princípio do Equilíbrio e Proporção
O equilíbrio e proporção permanentes é o resultado de cada unidade que segue a orientação do seu centro estável e informado. Este princípio aplica-se a todo o universo e cria ordem e estabilidade.
O centro do "Eu" é o centro estável que dá equilíbrio e proporção a todos os aspectos da vida de alguém, seja físico, mental, emocional e espiritual. Como resultado, os exageros e insuficiências serão minimizados. Em vez disso, haverá ordem, saúde, paz e bem-estar permanente. Hazrat Salaheddin Ali Nader Angha, no livro A Palavra Secreta, afirma: "O equilíbrio das absorções é o ponto de liberdade."[3]
3. Princípio da Cooperação e Colaboração
O conhecimento do centro estável leva ao equilíbrio e, derradeiramente, à cooperação e colaboração. No exemplo da semente, a dureza das raizes parece entrar em conflito com a delicadeza do aroma das flores. No entanto, quando vemos a imagem num todo, reparamos que cada parte está numa relação complexa com o todo.
O conhecimento do verdadeiro "Eu" permite-nos perceber a nossa verdadeira identidade e valor. Impede-nos de sermos conduzidos erradamente por valores em conflito, de sermos influenciados pela ganância, inveja, egoísmo e competição doentia. Permite-nos promover a cooperação e colaboração a diferentes níveis do nosso próprio ser e no nosso ambiente.
Hazrat Shah Maghsoud Sadegh Angha afirma:
"No mundo infinito, devido à sua união, não podem existir contrastes e antagonismos." [4]
4. Princípio da Compreensão e Unidade
O centro do "Eu" é vasto e infinito. Quando é reconhecido e desenvolvido, o conhecimento inerente no seu seio difunde-se e preenche todo o nosso ser. Como uma unidade verdadeira e abrangente da existência, o ser humano consiste nas dimensões celulares e espirituais. Ambas as dimensões do seu ser, a matéria e a energia, o físico e o espiritual, são expostos no centro do "Eu", o "ponto central" no seu coração.
Infelizmente, devido a um mau trato ou falta de sistemas educacionais, a dimensão eterna do seu ser não tem uma oportunidade de se desenvolver. Permanece enterrada debaixo de várias camadas de ignorância imposta pelas normas e hábitos sociais e não tem qualquer manifestação nele. Por isso, ele nega a sua existência e fica privado do conhecimento de si mesmo como um ser unificado.
No exemplo da árvore, a semente é o centro abrangente. Ela contém no seu seio o conhecimento da árvore e potencial para crescer. A semente manifesta o seu conhecimento inato em duas diminuições. As raizes crescem no chão e os rebentos encontram o seu caminho até ao céu. O desenvolvimento continua em equilíbrio e colaboração totais. O conhecimento inato manifesta-se em todas as fases em ambas as dimensões na forma de raizes, ramos, folhas, flor, fruta e depois... em semente de novo. Neste processo de expansão e contracção, o conhecimento oculto no seio da semente manifesta-se em diferentes fases do seu crescimento. Na fase final, no centro do fruto encontra-se de novo a semente, manifestando a lei da unidade.
O sufismo permite-nos conhecer a nossa realidade como uma verdadeira e vasta unidade da existência.
5. Princípio da Harmonia
Costuma-se assumir que existe um vazio entre um ser humano e a verdade universal, entre a matéria e energia e entre um ser humano e o Criador. No entanto, o que parece um vazio, na verdade é apenas a ausência de harmonia que torna o reconhecimento da realidade impossível.
Para restabelecer esta harmonia perdida, o ser humano tem apenas uma escolha: Ele tem de voltar para a sua fonte original de vida, para o "Eu", o ponto onde o "ser" se manifesta na forma de matéria.
A concentração das energias dispersas e forças no centro do coração, o "ponto central", fornece a harmonia e equilíbrio necessários. Assim, ele pode aceder à sua dimensão espiritual perdida e conhecer a sua realidade como um ser unificado. A jornada do conhecimento de si próprio começa do centro infinito do "Eu" e leva à existência absoluta.
6. Princípio da Orientação
A realidade da orientação não é conhecida através do conhecimento externo e adquirido. O ser humano, através da jornada do conhecimento de si próprio a partir do "Eu" (o seu ser limitado) para o "Eu", fica em harmonia e capaz de receber orientação do conhecimento inerente e sabedoria que lhe é conferida. A orientação só é possível através do esforço individual. Não é um fenómeno social ou de grupo.
Aquele que procura a verdade no seu ser, no seu coração, testemunha a luz da orientação. O professor espiritual, conhecido como o "Pir", que significa "Luz do Caminho", é o guia paciente que ilumina o caminho daquele que procura.
Hazrat Imam Mohammad Bagher, o quinto imã do Shi’a, afirma: O professor, o guia espiritual, é uma pura essência que tem de ser introduzida (revelada) por Deus no coração daquele que procura, através da sua luz divina.
A luz de orientação do "Pir" facilita a jornada. O professor espiritual permite àquele que procura, atingir um nível total de equilíbrio e harmonia entre todas as camadas e fases do seu ser, conhecer e testemunhar a sua verdade com toda a certeza e manifestar a sua realidade como um ser unificado.
7. Princípio do Amor e Atracção
O princípio do amor e atracção transcende as ligações limitadas e alteráveis, dependências e emoções. O amor é um princípio fundamental da existência, um campo de atracção e um arrebatamento que abraça toda a existência humana.
Hazrat Molana Shah Maghsoud Sadegh Angha afirma: "O amor é uma força electromagnética completamente impregnada que une e liga todos os aspectos da existência, desde a mais pequena partícula a todo o universo infinito."
Aquele que procura a verdade, através do centro do "Eu", liga-se ao amor e à atracção de toda a existência. "Esta atracção une todos os aspectos da existência, liga os seres humanos à sua fonte de vida, ao seu centro estável, o "Eu". O centro do "Eu" funciona como um íman que apanha todas as energias, amor e atracções que existem no universo."
Através do poder do amor, todas as fronteiras imaginárias e distâncias são destruídas e a lei de La illaha illa Allah (não há outro deus senão Deus), que é a lei da união, manifesta-se. É assim que aquele que procura a verdade, através do poder do amor, reconhece a realidade dos ensinamentos do Profeta Maomé (que a paz esteja com ele), quando o Profeta afirmou "Tu sê Tu." A tua realidade é a Realidade da Existência.
1. Molana Shah Maghsoud Sadegh Angha, Dawn ( M.T.O. Publication®, Lanham MD, University Press of America, 1989)p.26
2. Molana Salaheddin Ali Nader Angha , Theory "I" (M.T.O. Publication®, Riverside CA , 2002) pp. 97-116
3. Molana Salaheddin Ali Nader Angha , The Secret Word (Lanham, MD: University Press of America, 1989)p.20
4. Molana Shah Maghsoud Sadegh Angha, The Hidden Angles of Life (Pomona, CA: Multidisciplinary Publications, 1975) p. 43