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A História do Sufismo (1)
O Ser Humano: Verdadeira Unidade da Existência
A Unicidade da Existência
Os sentidos e a limitação da Mente na Descoberta da Verdade
A Concentração de Energias e a Descoberta do "Eu"


O Ser Humano: Verdadeira Unidade da Existência

"Cada ser humano é uma unidade verdadeira e global da existência."
Hazrat Salaheddin Ali Nader Angha

Durante mais de trezentos anos, a visão newtoniana do universo dominou a nossa compreensão do indivíduo e da sociedade. "O modelo newtoniano do universo reflecte-se numa máquina composta por múltiplas partículas. Sugere que, para compreender a totalidade da máquina e o seu funcionamento geral, temos de separar as partes e fazer um estudo detalhado de cada parte. Comparando a seguir o conjunto, a totalidade torna-se compreensível."[1] Este modelo serve habitualmente para a compreensão do universo e de nós mesmos. "Criámos limitações e fronteiras em todas as direcções. Ao tornarmo-nos peritos no reducionismo, perdemos a imagem total."[1]

"Agora que estamos na orla de um novo milénio, deveríamos, pelo menos, aplicar a ciência dos nossos tempos. [Fomos iniciados] à visão quântica da realidade, ao universo subatómico das relações e ligações. A física quântica pôs a descoberto ligações invisíveis entre partes que pensávamos que estavam separadas. Isso permite-nos perceber que o espaço não está vazio e que tudo no universo está ligado naturalmente. Mas isso é invisível para o indivíduo no seu estado limitado."[1]

A ciência dos nossos tempos começa a tomar consciência da totalidade do ser humano e da sua ligação à essência da existência, ou, dito de outra forma, ao Ser. Nos nossos limites, só prestamos atenção ao aspecto físico do nosso ser e negligenciamos a dimensão infinita e ilimitada no nosso interior. Não focalizamos o indivíduo como unidade verdadeira e global da existência. O físico David Bohm, da Universidade de Londres, disse: "o todo implica o todo"[2]. De acordo com Bohm, existe um nível mais profundo da realidade e uma unidade subjacente, da qual não estamos conscientes.

Esta descoberta vai ao encontro dos ensinamentos mais fundamentais do sufismo, em que existe uma realidade subjacente e um aspecto infinito do nosso ser, que também é vasto e ilimitado, tal como a própria existência. O neurofisiologista Karl Pribram disse: "os escritos místicos demonstram que eles descobriram técnicas para ir para além da "ordem explícita" e ver a verdadeira natureza da nossa realidade como seres humanos."[3]

O sufismo oferece-nos os meios de redescobrir a realidade da nossa totalidade e de realizar a unidade no interior.



1. Molana Salaheddin Ali Nader Shah Angha, Theory ā€œIā€ (M.T.O. Publication, Riverside CA, 2002) p.155
2. Ibid., p.120
3. Karl Pribram, interview in Omni, October, 1982, p.84