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A História do Sufismo (1)
O Ser Humano: Verdadeira Unidade da Existência
A Unicidade da Existência
Os sentidos e a limitação da Mente na Descoberta da Verdade
A Concentração de Energias e a Descoberta do "Eu"


A História do Sufismo
Primeira Parte (700-1200 depois de Cristo)

O sufismo tem uma história longa de 1400 anos. Nos dois primeiros séculos a seguir ao falecimento do profeta Maomé, vários sufistas ficaram conhecidos como ascetas. Ebrahim Adham (777 D.C.) abandonou o seu trono e a sua vida principesca para partir em busca do conhecimento divino. Um dos primeiros santos sufistas que conhecemos era uma mulher, Rabi’a (752 D.C.), que ensinou o amor generoso de Deus.[1]

Durante os períodos negros da história europeia, as ciências e literatura islâmicas atingiram a sua maturidade e os sábios sufistas procederam a experiências científicas, enquanto que os sábios na Europa que tentaram fazer o mesmo eram julgados por heresia. Enquanto o mais rico dos mosteiros tinha cerca de 300 a 400 manuscritos, a universidade islâmica de Granada tinha 105.000 volumes. As trocas entre eruditos judeus, cristãos e muçulmanos tiveram um importante desenvolvimento na Espanha mourisca (711-1492) onde a liberdade do culto era respeitada, mesmo durante as Cruzadas.

A influência do sufismo durante estes séculos foi grandemente difundida. No século VIII, o mestre sufista Balkhi (789 ou 810 D.C.), ganhou uma reputação nas ciências físicas e metafísicas.[2] O grande mestre Nakhshabi (859 D.C.) ficou conhecido por ter feito milagres. O século IX é onde se concentram mais figuras centrais do sufismo, como Dhu’n Nun no Egipto, Muhasibi no Iraque, Bayazid Bastami no Irão, que ficou célebre pela sua poesia e pelos seus aforismos paradoxais, ou ainda Karkhi, cujos ensinamentos em Bagdade representavam o amor como um presente divino que não podia ser objecto de aprendizagem.

Muitos sufistas foram mártires ao longo da história dos que se apresentavam como detentores da ortodoxia. Entre eles, Mansour Halladj (921 D.C.) condenado à morte por ter declarado: "Eu sou a Verdade", tornou-se imagem do mártir sufista. Embora a proclamação seja a própria essência dos ensinamentos do Islão, ainda hoje é mal entendida pelos teólogos muçulmanos.

Contemporâneo do médico e filósofo Ibn Roshd (1198 D.C.), que se tornou célebre na Europa pelo nome Averroès, o grande místico Ibn Arabi (1165-1240) deixou uma obra rica de 250 títulos, profundamente influenciado pelos ensinamentos de dois santos, entre os quais Fatemeh Ghortobi. Outra figura conhecida no seu tempo, Ghazali (1058-1111), começou por cooperar com o regime no poder, depois, cansado das perseguições infligidas ao sufista Sheykh Ansari, deixou o seu posto para fazer um retiro espiritual. Os seus ensinamentos, que combinam o sufismo com a lei islâmica (charia), fazem dele o teólogo mais influente da Idade Média islâmica.[3]

No século XII, podemos citar Sheykh Rouzbehan Baqli (1127-1209), que deixou mais de 100 obras, bem como Sheykh Najmeddin Kobra (1145-1220), que formou 17 discípulos, entre os quais Ali Lala Ghaznavi, Farid-ud Din Attar e Seyfeddin Bakharzi. Um discípulo de um dos discípulos de Kobra ficou célebre pelos seus poemas arrebatadores e pelas suas experiências místicas. O seu nome era Roumi.

Annmarie Schimmel escreveu em A Dimensão Mística do Islão: "Não há dúvidas que Kobra experimentou estas viagens celestes e atravessou as linhas cósmicas presentes nas suas visões. Juntou-se a outros teóricos sufistas na medida em que via o homem como um microcosmo, contendo tudo o que existe no macrocosmo."



1. Margaret SMITH, Rabi'a the Mystic and her Fellow - Saints in Islam, Cambridge University Press, Cambridge, New York, 1984.
2. Annmarie SCHIMMEL, Mystical Dimensions of Islam, University of North Carolina Press, Chapel Hill, 1975.
3. Al-GHAZZALI, The Alchemy of Happiness, Octagon, London, 1980.