Na tradição sufista, o conhecimento esotérico foi transmitido pelo profeta do Islão ao Imã Ali (que a paz esteja sobre ele) a Oveys Gharani (Uways al-Qarani) e Salmân Fârsi, depois, através de uma cadeia sem interrupções de mestres de sufistas até aos nossos dias. É o mestre que escolhe o aluno e este deverá possuir as capacidades de receber do mestre o conhecimento sagrado. O aluno segue os ensinamentos do mestre de maneira contínua até ao momento em que pode ser designado como seu sucessor.

Hazrat Salaheddin Ali Nader ANGHA, conhecido como Hazrat Pir, é o 42º desta linha de mestres sufistas que remonta à época do profeta Maomé (que a paz esteja com ele). Hazrat Pir nasceu em Teerão, Irão, no Domingo, 30 de Setembro de 1945 ao meio-dia. O seu percurso espiritual começa na infância. Durante onze anos, esteve sob a tutela do seu avô, que foi o 40º mestre sufista da Escola Oveyssi. A formação de Hazrat Pir continuou com o seu pai, Hazrat Shah Maghsoud ANGHA, 41º mestre da Escola Oveyssi.
À medida que vai dando a sua aprendizagem exemplar, o amor, a confiança e o respeito de Hazrat Shah Maghsoud pelo seu filho eram tais que ele falava do filho com una ternura infinita nos seus inúmeros livros. Na sua obra Ghazaliât (Odes ao amor), escreveu
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Este flagelo que destrói os corações, estes provocadores de problemas, seriam estes os olhos de azeviche ou narcisos pretos?
Ó bela Amada! Não está lá o teu olhar lânguido que me trespassa o coração e me perturba a alma?
A frescura das flores, a majestosa glória do sol, não provêm eles da graça do meu Bem-Amado?
Este cipreste que se eleva, este majestoso pinheiro, não são eles a Sua sublime estatura?
Estes deliciosos néctares, vêm eles de uma garrafa cheia de açúcar, da boca suave do Bem-Amado, ou mesmo da fonte de Água da Vida?
Não vejo eu os delicados reflexos da madrepérola, o cintilar de uma magnífica pérola, ou mesmo a opalescência dos Seus dentes?
Apercebo-me dos primeiros clarões do amanhecer, ou a luz do Seu peito que se difunde através do Seu colo aberto?
Não existirá aqui uma realidade que se mistura com o sonho?
Todas as noites, pelo ardor chagrém do meu fígado, misturo-me com o sangue do meu coração, como o almíscar;
O meu olho molhado, este leito da torrente das minhas lágrimas, não será apenas um vasto mar agitado?
O espírito de Mowlânâ está completo na magia destas palavras:"Da montanha Qâf infinitamente preciosa, é Nader Angha,a Fénix majestosa".
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Nestes versos apresentados acima, ao escrever "Mowlânâ", Hazrat Shah Maghsoud faz alusão a um poema que Jalâleddin Rûmi escrevera a Hazrat Pir. Os mestres sufistas são conhecidos pela sua faculdade espiritual de contemplar, desde há muitos séculos atrás, os eventos futuros antes que estes se realizem. Aqui estão alguns versos do poema de Rûmi acerca de Hazrat Pir, escritos no seu Divan-e Shams-e Tabrizi (*):
Ele, o perfume deste jardim, da Primavera e do elegante roseiral,
Perfume deste Amigo criador do mundo e vivificante,
O mundo ficou exaltado por tal perfume,
Que, não da terra, mas que dos mais altos céus provêm;
As estrelas se interrogam lá no céu: "Quem é este sol brilhante?"
Os peixes se interrogam na água: "Mas que tumulto é este?"
O seu brilho transforma as faces em sol,
E a bela lua, de face prateada fica louca de inveja.
Se muito tempo esperou, a beleza de José** finalmente chegou,
De tal graça e bondade, que as mulheres formosas ficaram completamente ofuscadas!
Que admirável Guia Divino! Tornado copeiro real, oferecendo a Água da Vida,
Da montanha Qâf infinitamente preciosa, é Nader Angha, a Fénix majestosa.
A chama de "Demos a vitória" ocupou o oriente e o ocidente, ,
É a luz dos olhos e a vida da alma de Mowlânâ.
Porquê tanta complicação! Dirá alto e bom som:
Vence pelo Todo Poderoso, é Soldado do nosso Rei.
Guardião dos dois mundos e protector das duas esferas,
Fiel nos momentos difíceis, tutor dos nossos descendentes.
A Roda Celeste gira agora de outra forma, cheia de ardor e de emoção,
Ó meu Deus, tanto amor! Tanta paixão!
Tu, cantor de doce voz, como o teu canto penetra todos os corações,
Descrito assim, pois é o tesouro deste Oceano
No fim dos anos cinquenta, um sábio egípcio de renome, Seyed Mohammad Abul-Majd, visitou Hazrat Shah Maghsoud em Teerão. Comovido pela presença da jovem criança (Hazrat Pir), escreveu:
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Ó Angha, a tua santa casa está cheia de flores; Entre elas está uma pura, Nader.
À família do Profeta remonta a linhagem do seu pai, e ele é o coração de uma vasta luz.
Ó Nader, a ti vem o portador de notícias que diz que uma pessoa como tu é verdadeiramente muito rara.
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A mãe de Hazrat Pir, Mah-Talat Etemad Moghadam, no seu livro Do Profeta Maomé ao grande sufista Mir Ghotbeddin Mohammad, que retrata a sucessão sem interrupção dos mestres sufistas da Escola Oveyssi, escreveu falando do filho:
"Em mil trezentos e quarenta e nove da Hégira (ano Solar) (4 de Setembro de 1970), após uma das reuniões de acompanhamento na presença de Hazrat Shah Maghsoud, na qual participavam muitos discípulos, com a aprovação e a benevolência de Deus, foi benzido recebendo o Manto da Pobreza das mãos do seu pai. Hazrat Shah Maghsoud, pronunciando uma alocução, oferece-lhe o seu Manto".
Desde que foi designado pelo seu pai bem amado, Hazrat Pir assumiu as responsabilidades e tarefas que lhe foram confiadas, entre outras, a concepção e a direcção dos trabalhos de construção do magnífico Centro sufista chamado Soufi Abad, em Karaj (perto de Teerão). O Dr. Ronald Grisell, que fizera uma viagem ao Irão em 1983, teve autorização para visitar este Centro. No seu livro Sufismo, ele apresenta uma descrição detalhada e consagra-lhe um capítulo intitulado "The Oveyssi School of Sufism at Karaj" (***).
Em 1979, quando Hazrat Pir partiu para os Estados Unidos com o seu pai, começou a perceber o desejo deste último de levar os ensinamentos do sufismo a um público maior. Em muito pouco tempo, e sob as suas orientações e supervisão directa, foram abertas sessões de ensinamento em vários Estados dos Estados Unidos. Após o falecimento de Hazrat Shah Maghsoud, a tarefa de dar a conhecer a verdadeira mensagem do Islão pelo mundo repousa nos seus ombros. Ele assume esta missão com muito amor e dedicação, esforçando-se constantemente em guiar, ajudar, ensinar e revelar a verdadeira imagem do Islão aos homens, seja qual for a sua escola de pensamento, a sua religião ou a sua educação.
Graças à sua profunda vontade em realizar o desejo do seu pai, a Escola que ele dirige junta actualmente mais de 500.000 alunos nos centros na América do Norte, Europa, Austrália, África do Norte e Ásia. Assim conseguiu realizar a previsão que Hazrat Shah Maghsoud tinha feito há mais de 30 anos:
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O campo da visão irá aumentar;
E a ignorância será derrubada.
O destino deseja que após este outro ciclo de trinta anos
O princípio do Islão se torne universal.
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O conhecimento de Hazrat Pir não se limita à arquitectura, à poesia, às disciplinas esotéricas e às ciências sagradas (a ciência das letras e dos números, a alquimia, etc.), mas inclui também as matemáticas, as ciências físicas, a astronomia, a astrofísica, a mecânica quântica e a biofísica. O rigor e a perspicácia de Hazrat Pir ganharam o respeito dos sábios e dos cientistas de todo o mundo. Hazrat Pir tem dado conferências em várias das principais universidades ocidentais, bem como noutras instituições científicas. Os seus discursos apresentam a profunda espiritualidade do Islão, a sua riqueza científica e o seu interesse pela vida moderna.
Hazrat Pir escreveu mais de cinquenta livros, que incluem obras em prosa e outras em verso: A Paz, A Palavra Secreta, A Promessa, Masnavi Ravayeh, Momentos de Murmúrios, Revelação, O Tesouro do Caminho, O Sufismo: a realidade da Religião, Contradição e Expansão ao interior do Ser, Theory "I", Sufism: the Reality of Religion, Sufism: A Bridge Between Religions, e Sufism and Faith.
Hazrat Pir também é o inventor de um aparelho que produz muões e que é utilizado em diversas aplicações médicas (muonthérapie).
* Mowlânâ Jalâleddin Balkhi Rûmi, Divân-e Shams-e Tabrizi, Javdidan Publications, Tehran, 1360, [1981] p. 241.
** José, o filho preferido de Jacob, foi atirado para o fundo de um poço pelos irmãos que tinham inveja. Mais tarde, foi vendido como escravo aos egípcios. Devido a uma graça sem igual, tornou-se o símbolo da beleza na literatura sufista.
*** Ronald Grisell, Sufism, Ross Books, Berkeley, CA, 1983, pp.85-97.